Educação, pela primeira vez na agenda do G20

Quais são as carreiras do futuro? Como preparar os estudantes hoje para trabalhos que ainda não existem? Os robôs substituirão as pessoas em seus empregos? Estes temas foram abordados no ciclo de encontros “Caminho ao G-20: o futuro da educação na era digital”, organizado pela Fundação UADE, a Revista Notícias e a Fundação Embaixada Aberta, e no qual a secretária-geral ibero-americana, Rebeca Grynspan, participou.

SGI-G20

O encontro, realizado a 15 de março em Buenos Aires, Argentina, teve como objetivo aportar reflexões e propostas para ser abordadas nas reuniões do Grupo dos Vinte, cujos presidentes encontrar-se-ão na Argentina, em novembro próximo.

Durante o evento, a secretária-geral ibero-americana, Rebeca Grynspan, expressou “a educação na era digital não se constrói só a partir da tecnologia, senão a partir de uma sociedade que usa a tecnologia para avançar. Não são os computadores os que transformam a realidade, são as pessoas, os criadores, com seus talentos”.

Ainda assim, a secretária de Políticas Universitárias da Argentina, Danya Tavela, considerou a educação como eixo central para o desenvolvimento dos países e se referiu à mudança de paradigma que se vive na atualidade: “O mundo mudou muito e muito rápido: há novos conceitos, novas realidades, novos jovens e outros não tão jovens, mas que necessitam se reintegrar ao mundo do trabalho. Esse é o rol da educação: poder gerar a articulação que permita formar educadores, técnicos, cientistas e profissionais que entendam a mudança”. E para finalizar, agregou: “Necessitamos gerar flexibilidade e um olhar amplo para encontrar as melhores soluções. Estamos convencidos de que a educação é a melhor ferramenta para consegui-lo”.

Nesse sentido, a secretária Grynspan acrescentou que “se queremos concorrer em um mundo em constante transição, incerto, complexo e hiperconectado, necessitamos elevar a qualidade da educação e a pertinência do conteúdo curricular” enfatizando que “menos de 1% dos estudantes da América Latina estuda fora de seus países, enquanto que na Ásia é de 7%. A experiência educativa é tão importante como o conhecimento”.

Desde a Secretaria-Geral Ibero-americana lançamos o Campus Ibero-América, a mais ambiciosa iniciativa de mobilidade acadêmica na história da região, com a que aspiramos alcançar 200,000 mobilidades de estudantes, educadores e pesquisadores para realizar uma estância no estrangeiro.

Concretamente, ao dia de hoje, aderiram 53 organismos que representam mais de 800 universidades e instituições científicas da região, assim como um importante número de empresas de 19 dos 22 países da Ibero-América. Ao final do ano passado havíamos acumulado 45,000 mobilidades e estamos, ativamente, buscando apoios e financiamento para poder cumprir com nossa meta no ano 2020. Encontra-se em fase de experimentação a plataforma que reunirá e administrará as mobilidades. Tenho certeza de que este programa nos ajudará a ter melhores profissionais, mas também pessoas mais capazes de conviver e ser membros plenos da sociedade.

Finalmente, cabe destacar que somente três países da América Latina formam parte do G20: Brasil, México e Argentina, que assumiu a presidência em novembro passado. A Espanha não é membro do G20, mas assiste às Cúpulas como observador permanente.

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